• Miguel Alexandre

Sabes se a tua cabeça está protegida?! Certificações de Capacetes - Descobre Todos os Segredos.

Atualizado: 11 de fev. de 2021

"A marca A é melhor que a B porque é mais segura!" - quantas vezes já ouvimos esta frase quando estamos a falar sobre marcas de capacetes? Quantos amigos não dizem que a marca A é melhor porque é mais cara ou porque é de X país e la tudo é melhor?! Bom, isso tudo é irrelevante.

Quando decidimos comprar um capacete novo, podemos encontrar vários certificados e vários símbolos, mas o que é que eles realmente significam? Nesta explicação vamos utilizar uma escala de 0-5 para dar uma avaliação a cada certificado e ajudar-vos a entender este mundo para poderem fazer a melhor escolha possível dentro do vosso orçamento.





Tipos de certificação: CE | DOT | SNELL | ECE | FIM Certificações Extra: ISI | SHARP | CRASH


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Certificação CE NÃO É UMA CERTIFICAÇÃO DE CAPACETES! Significa Certificado Europeu, é apenas um conjunto de normas que atenta que o produto é seguro para usar por seres humanos. Não é um certificado de segurança rodoviária. Muito pelo contrário, este certificado serve para qualquer produto, seja uma calculadora ou uma tostadeira. O meu conselho é, se o encontrarem num capacete FUJAM! Muitos destes CE são falsos e vêm da China com construções duvidosas. Não comprem nem usem para andar de moto. A probabilidade de se desfazer e acabar ele próprio por vos cortar a cabeça é demasiado grande.- Além de que é ilegal !

Avaliação: 0/5


 

Certificação DOT - A mais comum.

A sigla significa Department of Transports e é aplicada pela National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) nos Estados Unidos da América. Para que um fabricante de capacetes obtenha este selo nos seus modelos, tem de passar uma série de testes específicos onde se incluem testes de impacto.

Os testes são realizados colocando a cabeça de um boneco de testes dentro do capacete e devidamente equipada com sensores de medição, que vão medir as forças G dos impactos e a sua influência numa cabeça humana. O capacete é lançado a alturas específicas, em diferentes ângulos e superfícies, para criar variações nos testes. Dependendo da Energia que é passada para a cabeça de testes, assim é determinado se o capacete consegue ou não, aguentar os impactos que podem ocorrer nas estradas e garantir a segurança do piloto. Os capacetes são ainda submetidos a mais dois tipos de testes, que são a força da penetração necessária para um objecto afiado ultrapassar a carapaça até à cabeça e a resistência do sistema de retenção para ter a certeza que a fivela não parte e liberta o capacete da cabeça do piloto em caso de acidente Exemplos de Testes DOT:

- O capacete é lançado sobre uma base redonda metálica (bigorna) de uma altura de 1,83m.

- O capacete é lançado sobre uma base plana metálica (bigorna) de uma altura de 1,83m.

- Lança pontiaguda metálica é lançada sobre o capacete (medir capacidade de penetração)

- 1,4G de força são aplicados sobre a fivela para medir a capacidade de resistência durante 120 segundos.

Apesar de ser um teste cientifico e que procura replicar os testes em todos os capacetes, este sistema é muito criticado. A razão é que este teste é realizado num sistema de confiança.


Isto significa que são as próprias marcas de fabricantes que devem realizar os testes, apresentar os resultados e escolher o símbolo DOT correcto para aplicarem no seus capacetes, dentro dos valores atingidos. Apenas quando a NHTSA decide fazer o testes a um modelo específico, e encontra valores ou incorreções nos resultados, pode retirar o selo DOT. Caso um modelo falhe os testes a multa são 5000$ por capacete vendido. No entanto isto vale o que vale. No geral, as marcas mais renomeadas internacionalmente, respeitam estas normas e nunca falham nos testes ( Shoei, Arai, Scorpion, Bell, AGV, etc...), mas as marcas mais pequenas por vezes tentam escapar entre as gotas da chuva para evitar custos extra, testa apenas 1 capacete por modelo e...deixo-vos concluir o resto. Avaliação 2,5/5 - Boa certificação se o construtor garantir seriedade nos seus produtos. Mau pelos sistema de confiança.



 

Certificado SNELL - Alta competição

Nos Estados Unidas da América, a SNELL é considerada como uma certificação superior. Os testes são mais rigorosos, com um maior número de testes, e realizados pela própria SNELL. Estes testes são procurados para certificar capacetes para alta competição onde os impactos tendem a ser mais severos e o próprio risco de acidente aumentar consideravelmente. A SNELL é também uma empresa privada que procura realizar estes severos e sérios para garantir rigor e valor no seu selo. Esta certificação não no entanto obrigatória em parte nenhuma no Mundo.


Testes SNELL

- Todas as forças G e valores de impacto são aumentadas relativamente aos testes DOT. - A Snell testa protótipos para ajudar as marcas a desenvolver melhores produtos antes de eles serem lançados nos mercados.

- Novos padrões de certificação a cada 5 anos.

- Testes de queda em 5 bases metálicas diferentes com formatos diferentes (bigornas) - no DOT apenas 2. - Capacetes lançados a diferentes alturas para obter mais informações sobre os impactos.

- Teste de pressão na fivela de retenção com pressão exercida também na carapaça exterior do capacete, para medir corretamente as tensões exercidas ao longo de todo o capacete.

- A viseira é também testada contra impactos de projéteis (simulando pequenas pedras) disparadas com armas de airsoft a diferentes distâncias e forças de disparo.


Estes testes SNELL atestam uma qualidade de segurança bastante elevada mas, não sendo obrigatórios, não são muito procurados pelas marcas e podem reparar que no nosso mercado europeu são muito raros ou praticamente inexistentes. Dada a fraca imposição no nosso mercado não existe muita experiência com eles mas caso tenham um podem esperar bons níveis de segurança. Avaliação 3,5 / 5 - Bons testes , mas não sendo obrigatório os seus selos são praticamente inexistentes sobretudo no mercado europeu.



 

Certificação ECE - O padrão Europeu

O ECE Standard Motorcycle Helmet, é um dos testes mais utilizados no mundo e sobretudo no nosso mercado. É garantidamente um dos testes mais sérios para a segurança rodoviária, e obrigatório por lei para que os possamos utilizar num motociclo na estrada - Homologação. (mesmo que a polícia não esteja muito atenta a este detalhe.) Para um modelo receber esta certificação tem de passar uma série de testes rigorosos onde se inclui a simulação de acidentes , testes à abertura das fivelas e testes em diferentes tamanhos do capacetes nos mesmos modelos.


Estão curiosos para saber se o vosso capacete é homologado pelo ECE? É fácil, procurem na fivela de retenção a etiqueta. Ela deve ter um "E" com um número. Por exemplo o meu Shoei GT Air tem um "E6", que significa que foi testado e aprovado na Bélgica. Exemplos mais comuns: E1 - Alemanha; E2 - França ; E3 - Itália ; E4 - Holanda; E11 - Reino Unido; E13 - Luxemburgo.

Testes ECE

- Testes de absorção numa base metálica plana ( bigorna).

- Testes na resistência das fivelas e mecanismos de fecho.

- Testes de abrasamento em diferentes superfícies.

- Testes de deformação da carapaça do capacete.

- Testes de resistência na viseira.


O testes ECE é obrigatório antes da chegada ao mercado europeu, e as marcas têm de enviar 50 unidades de diferentes tamanhos (não protótipos) para análise num centro de testes independente que contará com a presença de responsáveis da marca e auditores ECE para certificar a veracidade dos testes e dos valores obtidos. - esta é uma da razões pelas quais vemos uma redução no numero de tamanho nos capacetes.

No entanto nem tudo é perfeito e esta certificação falha por não fazer testes de penetração de objectos afiados, que pode acontecer em caso de acidente.

Avaliação 4/5 - Apesar de não existirem testes infalíveis a ECE é a única que garante um grande número de testes em diferentes tamanhos do mesmo modelo antes de chegar ao mercado, realizado por entidades independentes e com auditorias de vários organismos.


vê aqui tudo sobre o estudo da UNECE

 

Certificação F.I.M.

Certificação para capacetes de competição. Todos os desportos motorizados com a mão da F.I.M., são obrigados desde o inicio de 2019 a ter equipamentos que passaram os testes FIM. Actualmente as marcas têm de colocar os seus produtos à disposição da FIM na Suíça para obter o certificado FRHPe-01. Este selo assenta sobre as mesmas premissas da ECE, mas com mais testes e mais forças aplicadas nos testes.

Testes F.I.M. extra ECE - Testes de impacto a 45º

- Testes com maior velocidade de impacto

- Testes de impacto em diferentes zonas do capacete.

- Testes de capacidade de absorção de impacto e níveis de proteção do cérebro. Os testes são realizados em Aragon - Espanha, pelo intituto de engenharia e pesquisa da Universidade de Aragon. Este selo brilhante e bonito é difícil de obter e tem custo elevados, o que vai resultar num maior custo do capacete no mercado. Normalmente podem encontrar estes selos em capacete réplicas dos capacetes de competição dos melhores pilotos do Mundo. - ex. Moto GP. Apesar do custos elevados a questão é "quanto vale a nossa cabeça/vida?".

Avaliação 4,5/5 - Não tem 5 porque há sempre espaço para melhorias mas, é até este momento o teste mais extenso e impactante sobre as capacidades de segurança de um capacete e que garantem os maiores níveis de segurança.





 

Certificações ISI A certificação ISI-Indian Standards Institute, é exclusiva do mercado indiano, não está directamente relacionada com o mercado europeu. Faz parte da BSI - Bureau of Indian Standards e é obrigatória para o mercado indiano. Um pouco irrisório tendo em conta que o mercado indiano é maioritariamente composto por motociclos mas que ninguém usa capacetes, quanto mais impor este tipo de normativa. Certificação SHARP A certificação SHARP - Safety Helmet Assessement and Rating Programme é um modelo de classificação da qualidade de segurança exclusiva do Reino Unido que é realizado pelo governo britânico e que coloca selos com estrelinhas 0-5. Exclusivo deste mercado não é representativo para o mercado europeu e eles têm até a data a necessidade de cumprir o ECE para homologação. No entanto com o Brexit não sabemos muito bem como vai ficar este situação ou se o SHARP passa a ser a certificação obrigatória por terras da Rainha Isabel II. Certificação CRASH

A certificação Sharp é exclusiva do mercado Australiano, e obviamente mais uma vez não representativo no nosso mercado europeu. É operada pelo governo australiano e um consórcio de agências entre as quais a NRMA Motoring. Têm um selos específicos no mercados deles mas as normativas ECE também se aplicam. Portanto os capacetes têm de ter ECE mais as normativas australianas.

 

Esperamos ter ajudado com estas informações a que vocês tomem decisões mais acertadas no momento da escolha do vossos capacetes e não se deixem apenas levar pelo preço ou design pois estes não são significativos na vossa segurança. É normal que um capacete mais caro tenha passado por mais testes e certificações mas informem-se correctamente antes de tomarem a decisão de compra de qual é efectivamente a certificação do capacete e se ela se traduz em segurança. Ride safe V !



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