• José Costa

Crónica GP de Portugal - MotoGP 21

Foi difícil arranjar coragem para falar do Grande Prémio 888 de Portugal, de MotoGP. Como tinha referido na antevisão, havia muitos pontos de interesse para esta corrida - sendo o principal, obviamente, o regresso do Miguel Oliveira ao “seu” Autodromo Internacional do Algarve.


Comecemos por aqui para exorcizar, logo no início deste texto, aquela que foi a pior prestação do Miguel Oliveira no MotoGP. Não falo de forma emocional ou a exigir seja o que for. Digo-o antes, de um ponto de vista analítico e distante, porque acho que esta foi uma corrida com muito para aprender.

fotografia: Rob Gray

O site the-race.com, na sua avaliação individual aos pilotos, atribuiu ao português uma pontuação de 2.5 (em 10) dizendo que “nunca pareceu contente em Portimão desde o momento em que viu a atribuição de pneus da Michelin”. Verdade! Acrescento ainda, que nunca pareceu totalmente confortável. Dizem também que “a realidade é que apenas podes trabalhar com aquilo que tens", o que me parece bastante pertinente. Durante os treinos e qualificação, foi consistentemente o mais rápido dos pilotos KTM, mas notou-se que a mota austríaca não escorregava com tanta graciosidade como na época transacta; e creio que isso influenciou a confiança do português. Junto ao facto de estar a correr em casa (e tudo o que isso implica), os erros foram aparecendo - algo muito pouco comum para Miguel Oliveira. A queda na qualificação foi, no fundo, um presságio para a corrida, que como sabemos, terminou na volta seis com uma queda na curva 14.

Ou melhor, teria terminado para a maioria (como se veio a confirmar), mas com o peso do mundo nas suas costas, o Miguel voltou para cima da mota e terminou a corrida como 16º e último classificado, depois de 19 penosas voltas ao circuito de Portimão, sozinho e com a mota em mau estado. Nestes dois dias que passaram desde o GP, pensei imenso neste sacrifício, no que deve ter custado (física e mentalmente); e no que significa. Parece que a partir deste Domingo que passou, a expressão “passar as passas do Algarve” ganha um novo simbolismo. Piadas à parte, estou esperançado que este GP seja o “rock-bottom” do Miguel e confiante que esta corrida o tenha feito mais forte.


Mas nem só de tragédia se fez o GP Portugal. Ao longo das 25 voltas ao circuito de Portimão. Fabio Quartararo foi, mais uma vez, a figura da corrida e mostrou uma forma soberba durante todo o fim-de-semana. Saiu da Pole Position e mesmo depois de um mau arranque desembaraçando-se dos adversários sem grandes dificuldades. Alex Rins foi o único que conseguiu acompanhar o ritmo do francês da Monster Yamaha, mas terminou a corrida na gravilha da curva 5, a 7 voltas do final. Com esta vitória, Quartararo isola-se na frente do campeonato com 61 pontos.

Atrás de Quartaro no campeonato e na corrida, Pecco Bagnaia, teve uma tarde muito positiva. Saiu da 11ª posição e foi gradualmente subindo na classificação com muita segurança, e mesmo beneficiando das quedas de Jack Miller, Rins e Johann Zarco, fica a ideia que tinha ritmo para chegar ao pódio. O atual Campeão do Mundo, Joan Mir terminou em terceiro lugar, ensanduichado entre Bagnaia e Franco Morbidelli, os três a cerca de cinco segundos de Quartaro.


Um segundo e meio depois de Morbidelli chegou Brad Binder. O Sul-Africano teve uma prestação muito acima da expectativa, conseguindo extrair tudo o que a KTM tinha para oferecer. O mesmo se pode dizer de Aleix Espargaró com mais um ótimo resultado para a Aprilia. Um pouco mais tarde; e depois de um fim-de-semana de (re)habituação e reabilitação, foi a vez de Marc Marquez. Nove meses desde a última corrida, foi delicioso ver o espanhol voltar a andar. Foi curioso ver Marquez cá para trás com as mesmas dificuldades que um Rookie, mesmo depois de uma batalha acesa com o Joan Mir, no início da corrida.

Na conferência de imprensa antes do GP, o espanhol muito calmo, confessou que não tinha expectativas para este fim-de-semana, para além de terminar a corrida. Pelo que toda a gente viu, creio que não vamos ter de esperar muito para ver o número 93 chegar à frente. E a verdade, venha quem vier, é que fazia falta em pista.


Atrás de Marc, chegou Alex Marquez - finalmente a terminar uma prova e a conseguir os primeiros pontos da temporada - seguido por perto por Enea Bastianini - o melhor Rookie - e Takaaki Nakagami, a fechar o top 10. O Japonês, conseguiu seis pontos importantes para o campeonato, depois de um fim-de-semana marcado por uma queda na travagem para a curva 1, que o deixou debelitado e questionável para a corrida.

fotografia: motogp.com

Logo a seguir a Nakagami, chegou Maverick Viñales, que claramente, não se dá bem em Portimão. Luca Marini, Danilo Petrucci, Lorenzo Savadori e Iker Lecuona fecharam os lugares pontuáveis.


Pelo caminho ficaram Johann Zarco, Alex Rins, Valentino Rossi, Jack Miller e Pol Espargaró (este ultimo, o unico que não desistiu por queda).


Uma nota final para a queda muito feia de Jorge Martin, ainda durante os treinos livres, que o deixou de fora da corrida. Desejamos todos, uma rápida recuperação


Assim, o MotoGP deixa Portugal, com o campeonato neste estado:


1. Fabio QUARTARARO | Yamaha | 61 Pontos

2. Francesco BAGNAIA | Ducati | 46 Pontos

3. Maverick VIÑALES | Yamaha | 41 Pontos

4. Johann ZARCO | Ducati | 40 Pontos

5. Joan MIR | Suzuki | 38 Pontos

6. Aleix ESPARGARO | Aprilia | 25 Pontos

7. Alex RINS | Suzuki | 23 Pontos

8. Brad BINDER | KTM | 21 Pontos

9. Enea BASTIANINI | Ducati | 18 Pontos

10. Jorge MARTIN | Ducati | 17 Pontos

11. Franco MORBIDELLI | Yamaha | 17 Pontos

12. Jack MILLER | Ducati | 14 Pontos

13. Pol ESPARGARO | Honda | 11 Pontos

14. Marc MARQUEZ | Honda | 9 Pontos

15. Alex MARQUEZ | Honda | 8 Pontos

16. Stefan BRADL | Honda | 7 Pontos

17. Takaaki NAKAGAMI | Honda | 6 Pontos

18. Luca MARINI | Ducati | 4 Pontos

19. Valentino ROSSI | Yamaha | 4 Pontos

20. Miguel OLIVEIRA | KTM | 4 Pontos

21. Danilo PETRUCCI | KTM | 3 Pontos

22. Lorenzo SAVADORI | Aprilia | 2 Pontos

23. Iker LECUONA | KTM | 1 Ponto


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