• José Costa

Ensaio Inicial do Campeonato de Moto GP 2021 - O que podemos esperar parte | 1/2

Atualizado: 8 de fev. de 2021

A cerca de 30 dias do suposto* arranque oficial da época de 2021 do MotoGP não podíamos deixar passar a oportunidade de fazer uma antevisão, com aquilo que sabemos.


Com o atual estado das coisas, é fácil perceber que em 30 dias muita coisa pode mudar, mas enquanto o tempo for passando, nós vamos estar cá para acompanhar todos os acontecimentos. Para esse efeito, vamos dividir esta antevisão em várias partes e acompanhar os desenvolvimentos que surgirem. Assim, sem mais demoras, vamos tentar olhar para o futuro:


Honda de volta ao topo?

Independentemente da forma, em que a Honda se apresentar em 2021, uma coisa é certa: Será bastante melhor que em 2020.


O que se segue àquele que foi, provavelmente, o pior ano da história da marca japonesa na competição é certamente, uma mudança de perspetiva. À data - 05 de Fevereiro de 2021- ninguém sabe o que vai acontecer a Marc Marquez, nem o próprio. O piloto espanhol encontra-se ainda em recuperação da lesão sofrida na corrida de Jerez de la Frontera em Julho de 2020, depois da terceira operação ao ombro direito em Dezembro passado.


O oito-vezes campeão -seis em Motogp- teve um ano de calvário que está ansioso por corrigir. Com a ansiedade de voltar ao ativo, também já deu alguns passos em falso na recuperação. A boa notícia é que o espanhol já começou a preparação para 2021. Finalmente, toda a gente parece ter percebido que Marc Márquez não é feito de borracha - mais uma vez, Marquez incluído. A recuperação deste tipo de lesões “pesadas” - agravada por uma paragem tão longa e em circunstâncias excepcionais como a que a pandemia de Covid-19 obrigou - tem, para além das mazelas físicas, sempre um impacto muito profundo na mente do atleta.


Entretanto, a Honda parece dar sinais de mudança na estratégia, passando a dar uma plataforma para todos os pilotos partirem em pé de igualdade, para a época de 2021. Uma mota que até 2020 foi feita apenas e exclusivamente a pensar em Marc Márquez está, este ano, a ser forçosamente desenhada também para Pol Espargaró (recém-chegado da KTM) , Takaaki Nakagami e Alex Márquez. Espargaró será o benchmark de Márquez em 2021, já que em 2020 demonstrou um ritmo muito forte e vai querer aproveitar esta oportunidade de lutar diretamente com Márquez, como fez em 2012 na luta pelo campeonato de moto2.


Márquez é um dos melhores pilotos de sempre, e quando voltar sabemos que vai entrar em pista de faca nos dentes mas, enquanto esteve parado, a concorrência aproveitou para dar um passo em frente. De forma algo atabalhoada, na sua grande maioria, diga-se.


Quem vai para cima da Suzuki?

A Suzuki fez uma temporada de 2020 perfeita. Talvez o adjetivo pudesse ser diferente caso a equipa não tivesse o sucesso que teve, mas a GSX-RR não sendo a melhor em nada, era a mais equilibrada de todas; o que num ano como 2020 foi muito importante. Mir foi superior a Rims, pela sua regularidade e porque aproveitou as oportunidades que teve ao seu dispor para pontuar bem e segurar o Campeonato do Mundo na penúltima corrida do ano.


Para a Suzuki há 2 perguntas-chave para 2021:

  1. Que impacto terá a saída de Davide Brivio?

  2. Conseguirão os designers da Suzuki integrar o novo patrocínio (Monster-Energy) sem estragar o estilo sóbrio e distinto da decoração da mota japonesa.

Apesar da tenra idade, Joan Mir demonstrou uma enorme segurança na sua condução e experiência na sua atitude. O mesmo não se pode dizer de alguns dos seus rivais. Vamos por partes:


A Yamaha foi quem mais perdeu e não só em pista.

Um desenvolvimento das válvulas do motor fora do período de homologação levou o conjunto dos 4 pilotos a perder 57 pontos ganhos com peças não conformes. A estrutura não foi capaz de dar resposta a uma época atípica e que devia ter sido muito mais proveitosa do que foi.



Franco Morbidelli ficou em 2º lugar no campeonato, mas fica-se com a impressão que mesmo num ano marcado por 3 vitórias e por um final de época muito forte, ninguém na Yamaha lhe deu muita atenção - o que até foi bom para o piloto italo-brasileiro, pois permitiu-lhe focar-se no seu desenvolvimento. O seu colega na Petronas Yamaha SRT, Fabio Quartararo, começou bem a temporada, criando expectativas em relação ao título de pilotos, mas a pressão tomou conta do Francês que vai querer mostrar o seu potencial ao serviço da Yamaha de fábrica (troca com Valentino Rossi em 2021). Maverick Viñales ficou em 6º no campeonato, e apesar de a espaços mostrar competitividade (1 vitória e 2 podiums), o ponto alto da sua época aconteceu no GP da Estíria, no final da recta da meta do Red Bull Ring, quando o piloto espanhol se viu obrigado a saltar da mota a 218 km/h, porque o travão da sua Yamaha falhou.



Para Valentino Rossi, arriscaria dizer que 2020 foi um ano de introspecção. Em termos de resultados desportivos, há um terceiro lugar no GP de Andaluzia no início do ano, mas temporada de Rossi, fica marcada pelo não-acidente no GP da Áustria quando Zarco e Morbidelli colidiram na travagem para a curva 3 quase levando o italiano de arrasto, quando este perseguia Viñales.



Rossi foi tocado por Deus e esta é a prova! Mesmo com uma mota secundária é candidato ao título de moto3, moto2 e motogp… Voltando à terra, não parece que 2021 vá ser um ano muito melhor para a Yamaha. A expectativa para o material não é a melhor e o problema parece ser maior do que aparenta.


A Ducati tentou, e ainda conseguiu levar para casa o campeonato de construtores (não confundir com o campeonato de equipas), mas a verdade é que tal como a Yamaha, a Ducati teve uma época muito abaixo da expectativa. Sem Marquez no baralho, esta deveria ter sido a época de Dovizioso, que perdeu o foco no objetivo principal. Perdeu no jogo das cadeiras e está, até este momento, sem colocação para 2021.


Jack Miller entra para a sua sétima época motivado pela sua melhor classificação no campeonato de MotoGP. Enquanto chefe de fila da marca italiana a pressão vai ser mais elevada, mas o Australiano parece pronto para o desafio. Pecco Bagnaia, será o seu colega de equipa 2021, dando à Ducati uma frente de ataque jovem e com muito potencial.


Danilo Petrucci, teve uma época “complexa” um bocado à imagem de Dovi, mas ao contrário deste, arranjou um lugar numa mota para 2021 e um que pode ser bastante interessante. Vai para KTM Tech 3, ocupar o lugar do Miguel Oliveira (aquele tipo de Almada de quem iremos falar mais à frente).


Por falar em KTM, pode dizer-se que a marca Austríaca teve em 2020, um ano para jamais esquecer.

3 vitórias e 5 podiums pode parecer pouco em retrospectiva, mas o ritmo demonstrado pelos 4 pilotos põe-nos numa trajetória bastante promissora. 2021 vai ser um ano de expectativa e acima de tudo de continuidade do bom trabalho. Há espaço para melhorar, tanto no material como por parte dos pilotos, mas é precisamente por isso que é fácil olhar para a KTM com bastante optimismo.



Iker Lecuona estará ao lado de Petrucci na Tech 3, enquanto que Miguel Oliveira se junta à KTM Factory Team e a Brad Binder, que em 2020 teve o seu ano de estreia na categoria rainha. Binder ficou com o galardão de Rookie do Ano, com optimas prestações como aquela que deu à KTM a sua primeira de sempre em MotoGP.


Vamos parar por aqui e voltar a pegar na próxima quinta-feira, com a Parte 2 onde vamos ler a palma da mão do Miguel Oliveira e analisar os underdogs e estreantes na competição.


*O arranque oficial da época de 2021 do MotoGP está marcada para 6 de Março, no Qatar, com o primeiro teste oficial, mas há rumores de que a Dorna está a ponderar alterar o esquema. Fica, para já, uma volta do Losail International Circuit, com Jorge Lorenzo:

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