• José Costa

MotoGP 2021 - Reacção ao teste no Qatar



Finalmente começou a ação em pista para o MotoGP, depois da pausa de inverno. Estávamos esfomeados, não estávamos?


Gostava de ter tido acesso a uma transmissão em directo, mas confesso que quando foi possível seguir o lap timing, os meus níveis de ansiedade desceram para valores normais. Nestes 5 dias de teste no Qatar, deu para petiscar umas coisinhas mas, a verdade, é que não deu para tirar a barriga de misérias. Ainda para mais uma tempestade de areia no último dia, afastou qualquer possibilidade de fazer tempos consistentemente e continuar o trabalho dos quatro dias anteriores.

Antes de passar ao que interessa, convém-me deixar uma nota importante: os testes de pré-época são isso mesmo, testes. Servem para as equipas e os pilotos encontrarem os passos seguintes da preparação para a época. Não valem pontos. Por isso, qualquer resultado (positivo ou negativo) deve sempre ser tido em conta com um pé atrás.


Uma outra nota, para a primeira aventura em pista das novas motas, que nos permitiu finalmente vislumbrar as novas decorações à luz do dia.


Dito isto, apresento alguns pontos que me chamaram a atenção durante os 5 dias de teste no Circuito de Losail, onde a época de MotoGP terá o seu arranque oficial a 28 de Março.


A KTM não está assim tão em apuros como parece estar (para já)


Foram dias particularmente difíceis para a KTM, que estava com a esperança de continuar a boa forma do final da época transacta e no final acabou por ficar bastante aquém das expectativas, no que toca à tabela classificativa. À primeira vista, o cenário parece negro - especialmente quando existe a comparação directa com a concorrência, mas a verdade é que os resultados tangíveis são enganadores. O Qatar nunca foi uma pista onde a KTM se tenha alguma vez dado bem. Ao mesmo tempo, creio que a prioridade nunca foi o tempo por volta, mas o ritmo de corrida.

Em 2021, por ter perdido os benefícios das concessões - que impõe, entre outras coisas, a utilização de menos motores para época completa - tinha a tarefa de assegurar que o novo motor estava ao mesmo nível do ano anterior em termos de performance mas, com maior longevidade. Isto, enquanto procuravam enquadramento para as novas peças, acertavam as afinações e se adaptavam à mudanças no seio da equipa.


É um teste ingrato para a KTM, que sai sem resultados palpáveis mas, como disse o Miguel Oliveira no final do último dia “(...) com nenhuma preocupação em especial. Só precisamos de analisar bem o que fizemos estes dias e voltarmos prontos para fim-de-semana de Grande Prémio”.

Sem surpresas, o Miguel foi homem mais rápido da KTM. Conseguiu um tempo, cerca de meio segundo, mais rápido do que em 2020, ainda que a distância ao primeiro lugar seja maior. Esteve muito “concentrado e focado”, segundo Mike Leitner, que afirmou também que o português conseguiu testar a maioria do material que KTM levou para o Qatar. As duas quedas de Binder, prejudicaram em grande medida o teste do sul-africano, que ficou assim com muito por testar. Já Petrucci teve um percurso de adaptação nova mota bastante positiva, conseguindo um 1'54.895; enquanto Iker Lecuona continuou o seu caminho de desenvolvimento individual, já perto do fim da tabela com um 1'55.195.


Há motivo de preocupação para a KTM? Neste momento, não. É prematuro estar a fazer juizos de valor, especialmente num projecto que ainda está a dar os primeiros passos. Os responsáveis da KTM sabem que, a qualquer momento, as coisas podem não correr tão bem - especialmente depois de uma época especial como a de 2020. Faz parte da viagem. Para nós, os fãs, paciência é a palavra chave. Os resultados vão aparecer, mais tarde ou mais cedo. Só vamos ter uma noção mais realista do nível de competitividade, em Portimão a 18 de Abril, depois das duas provas no Qatar. Ainda que uma boa prestação para a KTM (e para o Miguel) no Qatar, seja enorme passo em frente.


Ducati’s voadoras; a armada Yamaha; enquanto a Honda espera por Marquez; a Suzuki atira a areia para os olhos de toda a gente e a Aprilia, que sim senhor!

Atenção ao Jack Miller!

Já tinha referido na primeira parte da antevisão desta nova época, que o Australiano parece pronto para assumir as rédeas da Ducati e ao terceiro dia de testes apresentou a volta mais rápida de sempre do Circuito de Losail numa Moto GP: 1'53.183, que lhe deu o primeiro lugar na tabela de tempos. De resto, todas as Ducati Desmosedici GP21 estiveram muito perto de levantar voo. O radar de velocidade do Circuito Internacional de Losail apanhou Zarco a 357.69 km/h! Sem dúvida uma entrada promissora para a Ducati, com três homens nos nove primeiros lugares.

A Yamaha também esteve forte, com os seus quatro pilotos a rodarem muito perto do topo. Maverick Viñales e Fabio Quartararo terminaram separados por 0.019s, ocupando a segunda e terceira posições, respectivamente, com Franco Morbidelli no quarto lugar a uns meros 0.060s. Já Valentino Rossi, ficou no 11º lugar, mas confessou que “depois de quatro dias de teste, o balanço é positivo, especialmente no último dia em que estive bastante forte (...) e que estamos prontos para o ìnicio” (do campeonato).

A Honda apresentou-se uns furos abaixo da competição mas, o sentimento generalizado parece ser de optimismo. Ainda sem Marquez, a recuperar da lesão que o atirou para fora do campeonato no ano passado, foi Pol Espargaró o mais rápido dos pilotos da marca Japonesa, com um 1'53.899, que lhe valeu um lugar dentro do top 10. Alex Marquez, foi uma das vítimas do circuito de Losail, sofrendo uma queda que resultou numa pequena fratura no pé direito. Tudo indica que o espanhol também estará na prova inicial no final deste mês.

A Suzuki demonstrou mais uma vez a sua regularidade com Joan Mir e Alex Rins a ocuparem a sétima e oitava posições, com os pilotos espanhóis separados por apenas 0.030s. Os pilotos e os responsáveis da marca nipónica não abriram muito o jogo sobre os objetivos e os resultados para este teste, embora estejam confiantes de que são competitivos, mesmo não estando mais perto dos tempos mais rápidos.

A Aprilia foi a surpresa deste primeiro teste. Aleix Espargaró apresentou tempos muito fortes ao longo de todos os dias, que lhe valeram o sexto lugar final a 0.457s de Miller. A equipa Italiana está realista de que ainda tem muito caminho pela frente pois sabe que, para ter sucesso é preciso ser rápido em corrida, volta-após-volta, consistentemente. Independentemente, são bons sinais e é sempre bom para a competição ter mais gente a competir.

Podem ver a classificação final oficial dos 5 dias de teste de MotoGp no Qatar aqui.


O MotoGp está quase quase a começar!!! Tenho uma confissão a fazer: subscrevi o Videopass do MotoGP este ano, para poder ter acesso a mais coisas. Sinceramente, estou bocado hesitante com os reviews que tenho lido, mas vou-vos dando a minha opinião do serviço, porque estou muito curioso de saber se vale a pena ou não.




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