• Miguel Alexandre

Motos Elétricas - Vêm para ficar ou nem por isso?! Análise a dois dos modelos mais interessantes.

Quando se fala em motos elétricas abre-se uma porta muito complexa! É verdade que somos apaixonados pelos magníficos motores de combustão das nossas motos, mas a verdade é que com cada vez mais controlo nas emissões, vai ser complicado para as marcas conseguirem resistir à mudança. Não digo que será em 5 anos mas em 10?! Talvez. A verdade é que o mercado automóvel está a mudar e no mercado dos motociclos começam a aparecer propostas com imenso valor e que, vamos ser sinceros, todos temos vontade de experimentar. Seja pela nossa consciência sobre as emissões de carbono e do mal que está a fazer ao nosso planeta, seja pelos número alucinantes que estes novos modelos começam a apresentar. A verdade é que a eletrificação parece que está a chegar e que vem para ficar. Vamos fazer uma análise a dois modelos que estão no segmento das motos mais vendidas na Europa e vamos olhar para as propostas que elas nos apresentam.

A primeira é a Energica EVA Ribelle e é a versão naked da Energica EGO, com o mesmo torque, potência, aceleração e alcance; as únicas diferenças são a posição de condução e a velocidade máxima.



A Energica EVA Ribelle tem um torque linear de 215 Nm, uma bateria de iões de lítio de 21,5 kWh de longa distância com até 400 km de autonomia em cidade, caso estes números não sejam apelativos há ainda a versão RS com mais potência. O tempo de carga são 40minutos pois ela já vem equipada com capacidade para carregamento rápido (desde que as estações de carregamento tenham carregamento rápido)



É a única moto elétrica naked com Carga Rápida (corrente directa), enchendo quase 7 kmde alcance urbano por cada minuto de Carga (corrente directa) - mais rápida em pelo menos 82% do que qualquer outra moto eléctrica. - segundo a Energica.


POTÊNCIA: 107 kW - 145 hp

TORQUE: 215 Nm

VELOCIDADE MÁXIMA: 200 km/h

ACELERAÇÃO: 0-100 kmh 2,6 sec

ALCANCE: 400 km Cidade / 230 km Combinado / 180 km Extra Urbano

TEMPO DE CARGA: 40min (FC)


Com suspensões Ohlins, travões da Brembo, TFT com um display muito agradável e com um design italiano de pura classe esta é, sem duvida, a moto elétrica que mais argumentos trás ao segmento Naked (dia-a-dia). Tem tudo para ser uma moto fabulosa, excitante e segura.




Agora vamos olhar para a Zero SR/F, a moto elétrica que tem sido a referência no mercado durante estes últimos anos. É claramente mais fraca que a Energica EVA Ribelle e tem um estilo mais "normal" com menos pompa e circunstância que EVA Rebelle tem com o seu design italiano. Assume um estilo naked sobrio mas elegante e bonito que agrada certamente a muita gente.


O tempo de carga em carregamento rápido é consideravelmente maior com 80 minutos (carregamento rápido) - se não tiverem o modelo premium o tempo de carregamento sobe para 4h, sim é imenso! - e a sua autonomia também é bastante menor, podemos considerar que está no limite do aceitável para quem a utiliza no dia-a-dia para se mover em curtas distâncias. Mas para aqueles passeios de domingo com os amigos fica complicado, ainda pra mais tendo em conta o tempo de carregamento.


Efetivamente se procuramos uma moto que nos permita fazer curtos trajectos para comutar entre o trabalho e ir beber um copo à esplanada é uma boa opção ( se tiverem 21.140€ de sobre na vossa conta bancária ), mas no meu ponto de vista esta modelo ainda não está pronta para mercado de massas. É necessário melhorar os seus componentes para melhorar os números sobretudo nas baterias e conseguir produzir em grandes volumes para poder atingir preços mais baixos e acessíveis a mais gente. No entanto acredito que estejam no caminho certo para o conseguir num futuro próximo.



POTÊNCIA: 82 kW - 110 hp

TORQUE: 190 Nm

VELOCIDADE MÁXIMA: 200 km/h

ACELERAÇÃO: 0-100 kmh 2,6 sec

ALCANCE: 320 km com Power Tank Cidade / 259 km Cidade / 132 combinados

TEMPO DE CARGA: 80m (FC) pack premium / 4,5h pack standard


Independentemente de neste momento ainda não serem uma resposta para os grandes mercados eu acredito que os primeiros passos já foram ultrapassados e podem ser uma realidade num futuro próximo. Se as normativas nos obrigarem talvez ainda mais cedo do que se possa pensar. Visualmente e tecnicamente elas estão praticamente lá, é só uma questão de se melhorar as baterias e os tempos de carga para que possam efetivamente ser soluções viáveis mesmo para passeios maiores.

Vocês estão ansiosos por meter as mãos numa elétrica destas com velocidades de aceleração alucinantes ou vão ficar até à última nos combustíveis e nos maravilhosos sons dos motores de combustão? Honestamente para mim vai ser o som que me vai fazer mais falta quando a eletrificação for a norma, mas será que vai ser mesmo esse o caminho?