• Miguel Alexandre

Triumph Trident 660 - Nova rainha do segmento de entrada?

Atualizado: 2 de fev. de 2021

A Triumph Motorcycles presenteou-nos no final do ano passado com a apresentação da tão esperada Triumph Trident 660 que já levava alguns anos em desenvolvimento e surpreendeu todas as expectativas sobretudo visualmente! Um protótipo completamente branco tinha sido apresentado no london design museum, e muito honestamente não tinha recebido grande atenção, pois parecia "mais do mesmo". Não poderíamos estar mais enganados.

A Triumph entregou várias propostas de cores e adereços especiais que nos deixou empolgados. Claramente a Triumph conseguiu por a equipa de design a trabalhar eficientemente pois o resultado foi magnífico. Sóbrio, elegante, excitante. Conjugando o melhor de várias motos numa só. Surpreendente.

Na parte mecânica apesar de inovador não foi surpreendente pois já se esperava que fosse um 3 cilindros como é habitual na marca inglesa. No entanto muitas alterações foram feitas ao motor da street triple (mesma linha de engenharia da street triple RS, speed triple RS e moto 2 ) para criar esta fabulosa peça de engenharia. O escape também foi trabalhado de maneira a entregar o melhor som do 3 cilindros, tendo em conta os regulamentos de emissões sonoras da UE.


Esta Triumph trás vários argumentos de peso e aponta diretamente à MT-07 da Yamaha que foi renovada recentemente. Será que tem argumentos suficientes para a destronar como a moto mais vendida na europa? Vamos ver os detalhes com mais atenção em baixo.



O motor foi desenvolvido com o objetivo de proporcionar potência e torque intenso desde as rotações mais baixas, o que se traduz numa grande aceleração de massa mesmo em baixas rotações que se mantém durante a subida. Chega aos 81cv às 10,250 rpm e tem 64 Nm de toque. Este motor oferece-nos praticamente 90% de toda a sua potência durante praticamente todo o espectro de rotação, permitindo que condutores mais jovens, que não tenham tanta experiência com a caixa possam ter potencia sempre disponível não importa em que mudança estejam. Ficando taco-a-taco com a MT-07, onde esta é uma das características do CP2 que toda a gente adora nesse modelo. Boas notícias também para os detentores de carta A2, pois há a possibilidade de limitação a 35KW.


A nível de tecnologia a Triumph deu claramente uma chapada de luva branca, sobretudo às marcas japonesas. A Triumph conseguiu numa mota relativamente clássica roadster, inserir conectividade com o smartphone de maneira simples e eficaz. Mantém o estilo retro do mostrador, mas insere um pequeno ecrã que nos disponibiliza as informações que mais úteis são a qualquer motard. GPS, seleção de musicas, escolha dos modos de condução. Um pequeno detalhe que pode levar sobretudo os mais jovens a ponderar a Trident em vez de uma Yamaha MT-07 ou Kawasaki Z-650, que apesar de terem sido atualizadas com ecrãs tft a cores, ainda não trazem conectividade com smartphone. Ride by wire , modo de estrada e modo de chuva, com controlo de tração que pode ser desligado, ABS e full LED.


A nível de suspensões, apesar de ir ao básico, a Triumph toma uma decisão diferente relação aos concorrentes mais diretos e opta pelas suspensões da marca Showa, com suspensão invertida na frente (não ajustável) e ajustáveis apenas em pré-carga na traseira. Trás calçados os Michelin road 5, que encaixam perfeitamente neste modelo e garantem todas as prestações esperadas numa roadster, possibilitando um all year ride sobretudo em Portugal. Assim no total o assento encontra-se a 805mm de altura, que teoricamente proporcionará conforto e segurança mesmo aos condutores mais baixos. No entanto esta altura reduzida poderá proporcionar algum desconforto aos condutores mais altos.

Os pesos anunciados pela marca são de 189kg "cheia" com todos os fluidos e depósito cheio, o que a torna extremamente leve e teoricamente maneável. Com um chassis, inspirado na street, aclamado por ser maneável e seguro o que traduzir-se-á em facilidade de condução. A grande diferença do chassis, em relação à street triples é o material de construção, onde passamos do alumínio para o aço, para reduzir os custos. Será que esta alteração afeta a manobrabilidade?

Travões. Aqui a Triumph acredito ter cometido um erro. Decidiram ir com os Nissin 310mm com apenas 2 pinças, onde o standard no segmento é de 4. Se vai faltar capacidade de travagem, talvez não, mas no meu entendimento pessoal, travão nunca é demais e talvez numa situação mais complexa com elementos variados possa vir a ter uma performance inferior, o que transmite uma certa insegurança mesmo que seja apenas psicológica.


Acabamentos e extras. Neste departamento eu diria que a Triumph é expert. Além dos bem pensados esquemas de cores e acabamentos que se podem escolher a Triumph já preparou todo um conjunto de extras que se podem colocar na mota, que quase todos nós, procuramos colocar assim que adquirimos uma mota nova. Nesse sentido já é possível escolher desde malas, espelhos a protetores de motor. Uma grande gama de produtos que certamente fará subir o preço da Trident 660, mas que no final ficará exatamente à tua medida.

Quando falamos no valor de uma mota muita vezes olhamos só ao preço de compra, no entanto uma moto ( como vocês sabem) tem muitos custos associados ao longo do ano. A Triumph também pensou nisto para este modelo e uma das questões no desenvolvimento do motor era o intervalo de manutenção. Assim a Triumph propõe um interavlo de manutenção de 16.000km ( mais 6 mil que a maior parte das marcas) o que se traduz em praticamente o dobro dos km's para realizar os serviços de manutenção a longo prazo. Relativamente o preço de compra a Trident entra com o pé direito posicionando-se nos 7.995€ (base - Não inclui preparação, montagem, documentação e matrícula) o que a coloca em pé de igualdade com as outras do segmento à exceção da Honda CB650R que é a mais cara do segmento (com outros argumentos). No entanto se quiserem adicionar o módulo de conectividade e mais um ou dois extras o preço rapidamente ascende para perto dos 9000€.

No geral, a Triumph apresenta uma proposta de enorme valor com esta Trident 660. Sobretudo para alguém que esteja a entrar no mundo das duas rodas (jovem ou mais adulto) que pretenda algo que transmita uma boa emoção mas com todos os parâmetros de controlo, segurança e conforto na sua condução. Perfeita para o dia-a-dia ou também para alguém com mais experiência que tenha já motos maiores mas que gostaria de algo para ir e vir para o trabalho. Para quem procura algo mais agressivo e desportivo a Triumph já tem outras respostas como a street triple ou a speed triple. É claramente uma moto com argumentos para ganhar uma fatia do mercado mais valioso que são as "mid-weight" naked/roadster. Eu assim que tiver uma oportunidade vou experimentar esta Trident 660 pois merece claramente um ensaio e reviews com mais certezas. Está prevista nos concessionários em finais de janeiro 2021.